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O PREÇO DA VIDA

                 Cantado em prosa e em verso, elogiado e badalado, o amor é realmente o sentimento maior. É a mistura harmoniosa de todas as emoções. É o tempero da alma e do espírito.  O amor alimenta, nutre, acende a energia e rejuvenesce. Quando a pessoa está amando ela cresce a auto- estima, o humor se aguça, os olhos ficam mais vivos, a pessoa acorda. Acorda para a vida e já não tem tempo de reclamar.

                 Ela quer emagrecer, quer fazer ginástica, quer comprar uma roupa, melhorar o cabelo. A pessoa quer viver.

                 Um casal que está bem, passa energia para as pessoas.

                 É tão prazeroso você entrar em um ambiente e perceber um casal que está em um momento de entrosamento profundo.

À medida que um entra em um nível profundo de harmonização com o outro, eles passam a não perceber o espaço externo: é como se estivessem sozinhos no ambiente.

Um começa a adotar até a postura do outro: Se um está com o cotovelo apoiado e a mão no rosto o outro também geralmente está. Parece que todas as células estão ligadas. É o que nós chamamos de RAPORT. O "raport" é a sintonia fina, é o entrosamento profundo.

É o momento de troca de grandes energias. É quando um está ligado ao espírito, à alma do outro.  São como dois instrumentos muito afinados. E, é evidente que toda a química do organismo está também equilibrada.

                É o sonho de todos nós.

Alcançarmos este nível de comunicação com as pessoas e principalmente com nossos filhos, namoradas e esposas.

                 É importante que todos cuidemos de buscar esse nível de relacionamento e fazermos tudo no sentido de conseguir manter este astral.

                 E existem momentos na vida de todos nós em que essa harmonia pode começar a se perturbar e enfraquecer e esse é o momento de lutarmos e reconquistarmos o nosso bem estar afetivo.

                 É muito comum no consultório e na nossa vida diária vermos casais em desarmonia constante, se agredindo, se anulando, um tirando energia do outro sem que se tenha coragem de conversar, de assentar, de colocar o problema de uma maneira  respeitosa e crescer com a solução.

Passam a esperar por um milagre, que alguma coisa vai acontecer e o problema será resolvido.

                 E cada dia que o milagre não acontece, cada dia surge um sentimento negativo, de revolta, de raiva da pessoa por ela mesma de não estar tendo coragem e força para equacionar o seu problema.

                 E a pessoa passa anos e anos tentando avaliar um relacionamento sem chegar a nenhuma  solução.

Será que este relacionamento é bom? Será que vale a pena continuar?

Quando se tem uma dúvida em qualquer decisão é porque as vantagens e desvantagens estão quase iguais. É como uma corda onde dez puxam para um lado e dez puxam para o outro. E nunca se chega a uma conclusão.

                Toda nossa vida e principalmente a vida afetiva é como um coquetel de frutas onde acrescentamos frutas boas e ruins, frutas doces e azedas, frutas que gostamos e que detestamos, algumas até estragadas. E, várias vezes na vida nós paramos para avaliar e fazer um julgamento da vida. E é muito difícil pesar tudo isso.

               O que devemos fazer é abrir a  " torneirinha" e provar um pouco desse coquetel : se estiver gostoso, ótimo, se não estiver gostoso precisamos reavaliar este relacionamento .

                É como alguns casais logo antes de casar, na dúvida começam a indagar: mas será que o que eu  sinto é amor mesmo? Será que eu apenas gosto ou será que amo de verdade? Para essa pergunta não existe uma resposta que satisfaça. O importante é "provar "do coquetel e medir tudo com o coração. Ouça o seu coração. Se ele estiver dizendo sim vá em frente. Se não, reavalie a situação. Renegocie com você mesmo e com a outra pessoa.

                Tenho visto no consultório pessoas que estão há anos questionando o seu relacionamento. Tem coisas boas e coisas ruins. Será que vale a pena ficar? Será que eu dou conta de deixar tudo?

               Um modo prático de conduzir o pensamento e as decisões, esgotadas as possibilidades de negociar e crescer é: Primeiro faça uma lista (lápis e papel ) do que existe de bom e do que existe de ruim no seu relacionamento. Deite, faça um relaxamento e imagine uma balança interna onde você vai colocando, de um lado as coisas boas do outro as ruins. E deixe o seu interior decidir. Deixe o seu inconsciente colocar de cada lado da balança o que lhe convier e como lhe convier porque ele, o inconsciente, já sabe o resultado final. Aí você terá definido a primeira grande dúvida: quero continuar com essa pessoa e qual o preço que vou pagar para ficar com ela. Ou, não quero ficar com essa pessoa e qual o preço que vou pagar para me separar dela.

                E, sempre na vida é assim. Quero emagrecer e qual é o preço que vou pagar para conseguir; ou não quero mais emagrecer e sei que vou pagar tais e tais preços por continuar obeso. Conclusão: Para tudo na vida devemos avaliar o custo e o benefício. Qual o preço que vou pagar para ter esse ou aquele benefício. Qual o preço que vou pagar para continuar nessa ou naquela situação.

               A pior situação é ficar em cima do muro.

               Certa vez um cliente em terapia ficou anos e anos tentando definir se deveria separar ou não. Até que um dia o terapeuta o interpelou e lhe mostrou o obvio: Você só vai ter essa certeza do que  é melhor, separando e vivenciando a situação.  Se for bom permaneça separado. Se for ruim volte a renegocie as suas condições.

               Na vida não tem como não correr o risco das decisões. Não tem como não pagar o preço.

O preço da vida! O peso da vida!

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