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A VIDA É UM TEATRO...

A sociedade tem normas e direcionamentos que divergem muito em cada área da nossa vida. Infeliz daquele que decorar meia dúzia de regras e sair pela vida, sem nenhum jogo de cintura, aplicando “ao Deus dará” critérios inadequados.

As leis que regem o social são totalmente diferentes das leis que regem o afetivo.

A sociedade nos exige máscaras e maquiagens que melhoram a nossa imagem, o nosso exterior. Temos que representar o tempo todo. O importante não é tanto o que eu sou mas o que eu te faço pensar que eu sou. É o que você acha que eu sou. E por isso as capas que eu vou me colocando é que me fazem, cada vez mais, esconder o que eu realmente sou.

Mas no afetivo, nos relacionamentos com as pessoas e especialmente na vivência da nossa sexualidade, não tem teatro.

Esse é um momento onde nós estamos totalmente despidos das nossas categorias sociais.

Ali não tem o médico, o professor, o advogado, o branco ou o negro.

No sexo nós temos de estar realmente nus, é onde nós mostramos o nosso instinto, a nossa animalidade. Em todas as outras funções corporais a sociedade conseguiu nos educar, conseguiu nos maquiar e mostrar o que as pessoas querem ver.

Mas para vivermos a sexualidade com qualidade e desprendimento e conseguirmos ter o prazer máximo e compartilhar com o outro, temos de deixar aflorar a energia sem repressão.

Não tem máscara. Não tem teatro.

Na verdade nós somos aquele que mostramos ser naquele momento e todo o resto é uma fantasia. São cascas e camadas que vamos acumulando e chega um ponto em que nós mesmos não sabemos quem realmente somos.

Naquela hora você, é você. E, para se conhecer bem, às vezes tem de perder a categoria social e se descobrir no seu interior.

“Certa vez um comerciante que vendia peixes mandou fazer uma placa muito bonita e grande com os dizeres: “Vendem-se peixes frescos aqui.”

Passou um cliente e vendo a placa chamou o dono e disse: - Por acaso você vende peixe em outro lugar? E ele respondeu: - Não, eu só tenho esta loja. O cliente disse: Então, na placa não precisa colocar “aqui” basta: “Vendem-se peixes frescos.” Ele pensou e concordou e mandou fazer outra placa bonita: “Vendem-se peixes frescos.”

Passou outro cliente e disse ao dono: - Você vende peixes estragados? Ele disse: De jeito nenhum. Então não precisa colocar na placa: “frescos”. Basta: “Vendem-se peixes” e fez nova placa. Passou outro cliente e disse: Você empresta peixes? Você aluga peixes? – Claro que não. Então na placa basta colocar “Peixes”. Passou outro cliente e disse ao dono: Com esse cheiro de peixe não precisa de placa.”

Então é só assim, tirando as nossas categorias que nós nos encontramos e nos conhecemos tais quais nós somos.

No amor, na intimidade, no sexo não tem como nos esconder.

E o que constrói a beleza dos relacionamentos e nos faz unir mais ao outro e crescer em qualidade no relacionamento é a coragem de mostrar o nosso lado frágil, os nossos pontos fracos. Você só pode me amar no que eu realmente sou.

Caso contrário o amor também se torna um palco e um teatro, apenas aparência e superficialidade.

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