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CASAMENTO ... UM BEM OU UM MAL ?

                Claro que é um bem. Afinal "para sermos felizes precisamos de relações estáveis, segurança, solidez". "A família é a célula da sociedade". "O amor existe e é maravilhoso".

                Tudo isso pode até ser verdade, mas não é fácil não. A convivência, o dia-a-dia, a rotina e principalmente o desamor acabam com qualquer ilusão e fantasia.

               Uma vez em uma festa uma senhora amiga dizia um pouco indignada:

"Não existe amor que resista a um casamento". A mesmice, os problemas, a falta de diálogo, quando não tratados de maneira adequada realmente desgastam a relação.

               "No começo do casamento é: meu bem para cá, meu bem para lá. Depois é:

meus bens para cá, meus bens para lá".

                Mas, dizem os especialistas que apesar de tudo, não existe nada melhor do que o casamento. E nisso eu chego até a concordar em parte.

Casamento no sentido de termos um relacionamento sério de comprometimento, com diálogo e respeito. Não necessariamente morando sob o mesmo teto, mas casamento no sentido de relacionamento com troca, com crescimento mútuo, com respeito ao espaço e a individualidade do outro.  Casamento de um com o outro e não de um contra o outro.

                Precisamos entender que pessoas não são objetos. Não se compra em loja, não se dá de presente.

Uma pessoa não é igual a outra. É única. Tem pensamentos e ações próprias.

Não adianta querer fazê- la a sua imagem e semelhança. Quando convivemos com alguém não temos a sua posse.

Sujeitos não são possuídos por ninguém, por que não são  objetos, são livres.

A  pessoa  pode realizar o nosso desejo,   pode fazer o que queremos para nos agradar     " mas é só um presente,"  que ela nos dá enquanto quiser.

              Nas relações é necessário atenção com o outro e vigilância com relação as suas necessidades.  Toda relação vai bem enquanto um quer fazer o outro feliz, enquanto se está atento as necessidades e fantasias do outro.

No momento em que a pessoa passa a pensar nela  mesma, nas suas necessidades, entra o egoísmo que atrofia a relação.

             Nossos relacionamentos são extremamente egocêntricos, centrados nos nossos desejos, nossos interesses, sem perceber que nenhuma relação acontece isolada.

Muitas vezes até esquecemos que o outro está ali, e que ele tem suas aspirações, suas expectativas.  Uma relação só é satisfatória, quando existe muito respeito e diálogo.

 E não aprendemos a dialogar. As discussões são verdadeiros monólogos, cada qual tentando se justificar, se defender e jogar a culpa no outro para se sentir vítima e ficar em posição privilegiada na relação, é o respeito à diferença que distingue a nossa capacidade de diálogo.

              Dar ao outro e a nós mesmos o direito de escolher, de dizer que não está feliz, que não gosta, sem se preocupar em agradar ou desagradar, sem sentir culpa por ser diferente.

              A melhor postura mesmo nos relacionamentos de convivência maior é considerar o outro como uma "visita cordial": ser amável, ser solícito, ser gentil e educado mas evitando a intimidade.

Precisamos aprender a conviver com o outro mas sem intimidade : sem comer com a  boca aberta, sem  enfiar o dedo no nariz, sem palitar os dentes na frente do outro, sem usar o banheiro com a discreção necessária, sem manifestar necessidades que por mais fisiológicas que sejam tiram o encanto da relação.

E a relação sem encanto é como uma comida sem nenhum tempero em que as vezes você tem de comer para não morrer de fome mas passa a noite sonhando com o momento de degustar um prato as vezes até simples mas com muito sabor e com  uma pimentinha  especial. E, é duro ter que comer uma comida sem nenhum sal.

            E é pior ainda quando essa comida é bonita e desperta o desejo. Nesse caso a decepção é pior ainda: você prepara o estômago para comida maravilhosa e quando come percebe que o organismo rejeita.

            Eu tenho visto no consultório pessoas que decidiram dar as costas e dizer não a sua afetividade.

            Geralmente após uma decepção e por falta de coragem de crescer resolvem matar o seu lado afetivo e sexual e não percebem ou não querem perceber que estão amargas, duras, tristes e deprimidas mas passam a vida dizendo que o afeto e o sexo não lhe fazem falta.

             Sabemos que o afetivo colore a vida, "amolece" o coração, faz a pessoa ficar mais doce, mais amável, dá um brilho especial nos olhos e deixa um arzinho de felicidade.  A pessoa mal amada se sente rejeitada, abandonada, preterida, incapaz de fazer alguém feliz. E o pior sentimento é o de abandono.

             E, sentindo- se abandonada a pessoa se anula, não cresce. Ela murcha e atrofia.

             Portanto, a vida a dois é muito mais que uma satisfação, é um desafio e busca constante de aperfeiçoamento. E nenhuma relação será prazerosa ou válida se a felicidade for apenas, de um dos parceiros.

             Mas se um bem ou um mal o "casamento" está aí para ser vivido de forma leal e respeitosa proporcionando o crescimento de ambos.

              Buscando mais o "matrimônio" e não o "patrimônio". Mas como não se consegue agradar a todos existem os engraçadinhos que até admitem que:

"Casamento em si até não é ruim. É ruim em mim". 

 

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