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"ENVELHECER SORRINDO COMO AS ÁRVORES FORTES ENVELHECEM"...

        É uma boa notícia saber que caminhamos para o Século XXII com uma vida mais longa. O avanço da medicina parece levar o homem, a cada dia, para uma vida centenária.

 

Sonho ou realidade cruel?

 

         O caminho dependerá, certamente, do respeito e do carinho que dedicarmos à nossa própria vida. E' um sonho viver, ser independente e ativo enfim alongar o nosso tempo de vida útil e ativa. Da mesma forma é uma realidade cruel estender a vida humana para submetê-la ao sofrimento, à solidão e a todas as formas de abandono e descaso.

 

         Entre o sonho e a realidade, a geriatria caminha para a prevenção. Nada pode fazer uma vida mais ativa na maturidade que a prática inteligente de prevenir, preparar-se culturalmente para um novo conceito de maturidade.

 

         Se caminhamos para viver 100 anos, temos de caminhar controlando a nossa alimentação, o nosso lazer, o nosso estado geral. Precisamos caminhar, fugir da vida sedentária, acompanhar periodicamente os nossos exames, não ingerir medicamentos a revelia, cultivando com moderação os prazeres da vida. O importante, portanto é  a atenção geriátrica que vamos receber a partir da maturidade. Geriatria, sem preconceitos, sem exageros, sem neuroses.

 

         A gerontologia é hoje uma especialidade que desfruta de alto conceito no mundo civilizado. Sonhar em viver muito pode perfeitamente ser uma realidade agradável, nunca cruel. Na verdade, descuidar-se depois dos quarenta anos, não se preparar para uma vida saudável demonstra, a par da idade, falta de seriedade e respeito para com o ato de viver. É sem dúvida uma ato desprovido de modernidade.

 

         Mesmo porque, quem não previne, quem se desgasta, se estressa, se aborrece a toa, quem se entrega à depressão e melancolia sabe muito bem a crueldade que a vida acaba lhe impondo.

 

         Hipocondria, depressão, cansaço, desânimo, desmotivação, obesidade, solidão, tristeza, baixo rendimento, alteração de humor, perda de memória não são apenas inimigos da velhice. São em suma inimigos da vida, e que na velhice acabaram por tirar-lhe o encanto e marginalizar as pessoas maduras.

 

         Vivemos num país que decididamente resolveu dar às costas à sua condição de nação grande, populosa e que tem de se preparar para Ter dentro de poucos anos, uma das maiores populações de idosos do mundo.

 

 

 

 

        

 

 Há efetivamente um preconceito contra a idade no Brasil. A publicidade, a novela, os políticos, todos centram o seu discurso na juventude. Aos primeiros cabelos brancos, à primeira marca do tempo no rosto. Já começamos a ouvir brincadeiras e gracejos sobre '"velhos" e coroas. Como não vamos mudar esses aspectos culturais a curto prazo, temos de estar conscientes deles.

 

         A própria geriatria sofre o preconceito. O médico geriatra, os gerontólogos de modo geral, são estigmatizados como médicos de velhos e não  como médicos que atuam contra toda e qualquer forma de velhice. É verdade que há muitas pessoas que colaboram com este estigma, quando se antecipam à sua idade, que seja por problemas emocionais, que seja por  comodismo ou por falta de disciplina interior,. Às vezes e infelizmente, chega a ser cômodo às pessoas precipitar em si os traços de velhice. Mas não há como negar o progresso da medicina. Todos aqueles que se precipitam a comodismo da idade, abrindo mão de sua própria idade, em função dos outros, precisam estar atentos à evolução médica que, prolonga a vida clínica indistintamente, com seus transplantes, próteses, cirurgias plásticas. É preciso, pois, evitarmos o descompasso e viver muito "vivendo mal", tornando-os dependentes de nossa própria longevidade.

         Nada pode ser porque a longevidade dependente e melancólica. Porque a verdadeira longevidade deve ser aquela que devolve vida a velhice.

     

 

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