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COMO PERMANECER JOVEM

Os cientistas estão começando a decifrar os mistérios do envelhecimento e como adiá-los.

 

             Os critérios do envelhecimento estão sendo discretamente modificados. Crescentes conhecimentos sobre Biologia e Genética têm trazido grandes esperanças de uma longevidade com muita saúde.

             E a história mostra que isso é possível. Em 1900 a expectativa de vida de uma pessoa nascida no Brasil não chegava a 40 anos. Segundo informações do Ministério da Saúde, hoje a expectativa média de vida de um brasileiro é de 68 a 70 anos e, sendo essa uma média, muitos vivem bem mais do que isso.

             Existe um ritmo natural de envelhecimento. Se todas as pessoas envelhecessem naturalmente, era para todos viverem de 100 a 120 anos. Essa é a longevidade potencial do ser humano. O nosso papel como geriatras é então aumentar essa longevidade média para aproximarmos dos 120 anos.

             Portanto, não há dúvidas de que a expectativa da vida humana já cresceu muito e ainda tem muito para crescer.

A era Moderna das pesquisas sobre o envelhecimento começou e, 1961, quando o biologista celular Hayflick professor da Universidade da Califórnia e autor do livro "Como e porque envelhecemos "fez uma descoberta importante.

             Incomodado com a questão do início do envelhecimento ele interrogava: eram as próprias células que enfraqueciam, enfraquecendo todo o organismo humano?  Ou poderiam as células continuar a viver indefinidamente, não fosse a deteriorização provocadas pela idade nos tecidos que elas constituem ?

             Para verificar o assunto, Hayflick colocou células de fetos numa placa em laboratório, e elas reproduziram dobrando o seu número e foram dividindo várias vezes, sempre duplicando o número.

             Após se repetir cerca de 50 vezes o ciclo parou de repente. As células fizeram algo bem semelhante ao envelhecimento passaram a consumir menos alimento e suas membranas se deterioraram.

             A experiência foi repetida, utilizando células de uma pessoa de 70 anos dessa vez o envelhecimento celular começou bem mais cedo após 20 ou 30 duplicações.

 

Centenários sem gordura

 

             Uma alternativa para mudar a maneira como as células processam os nutrientes é começar dando-lhes menos material a processar.

             Estudos já demonstraram que os ratos cujo consumo calórico é de 30 a 40 % mais baixo do que o grupo controle, tem uma vida de 40 % mais longa. Para o homem isso representaria uma dieta rígida de 1500 calorias por dia, em troca de mais 30 anos de vida.

            Quando as calorias são restringidas a temperatura do corpo cai e, a uma temperatura mais baixa significa um metabolismo mais lento, que representa menos alimentos processados.

            Portanto, hoje já se conseguiu em laboratório, dobrar a vida de moscas, ratos e macacos gerando espécies mais saudáveis e vigorosas que os semelhantes com a metade da idade.

            Por que duvidar que isso possa acontecer com o homem?

            Apenas com restrição caloira, acredita-se poder o homem chegar a bem mais de 80 anos.

            Afinal de contas, é raro ver-se um centenário obeso.

             Mas a redução caloira é pouco mais do que tapar buracos em um navio que está naufragando.

             O que os cientistas querem mesmo é chegar até a "casa de máquinas "do organismo e remodelar os genes.

             O projeto Genoma acredita que em pouco tempo já se tenha decifrado todo o código genético do homem e em mais alguns anos já se poderá através de um exame de sangue dar às pessoas um perfil completo dos 100000 genes com informações sobre as tendências, as doenças cardiovasculares, câncer e outras; muito a tempo de preveni-las.

             Outra descoberta é que existe na extremidade dos cromossomos uma pequena região que se chama telômero, como a terminação plástica na ponta de um cordão de sapato.

Cada vez que a célula se divide, as células filhas tinham um pouco menos de telêmetros. Por fim, quando a célula alcança o seu limite de 50 duplicações o telômero estava reduzido a quase nada. Células como as do esperma e do câncer não perdiam o telômero e por isso se reproduzem não apenas cinquenta, mas milhares de vezes.

Sabe-se hoje que uma enzima é capaz de conservar o telômero- é a telomerase. E nas células do câncer foi identificada a telomerase. Parecia então, ter encontrado o agente da vida eterna.

             Ficção cientifica ou não a ciência hoje aponta para a verdade mostrando que não há motivo para que muitos adultos não vivam os 120 anos a que tem direito.

             Para quem sonha com a imortalidade essa perspectiva pode parecer um pouco modesta.

             Mas quarenta ou cinquenta anos a mais parecem ser um esplêndido primeiro passo.

 

 

 

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