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QUE IMAGEM VOCÊ VÊ?

Ficar magro de um dia para o outro é o maior desejo de quem está acima do peso.

Muitas pessoas acabam cometendo loucuras, submetendo-se a várias dietas absurdamente rígidas e muitas vezes combinadas aos inibidores de apetite, laxantes e diuréticos para conseguirem chegar mais rapidamente ao peso que desejam.

Mas esquecem que existe um grande risco de não-identificação do corpo, que leva um tempo para se adaptar às mudanças alimentares.

 

Quando isso acontece, o emagrecimento pode vir acompanhado de complicações físicas e psicológicas.

Focando nas questões psicológicas o fator imagem corporal que é a idéia que cada pessoa tem sobre o seu corpo, tem papel central na construção da nossa identidade. Pois é através do corpo e de seus movimentos, postura, odores e gostos que projetamos nossa autoimagem aos outros e ao mundo.

Essa construção é um processo permanente, que envolve fatores físicos, emocionais e sociais. 

 

A imagem, como um construto multidimensional formado por esses aspectos além de desejos e atitudes emocionais em relação a si mesmo e aos outros, está sujeita a uma série de interferências que, em situações extremas, podem acarretar em transtornos complexos e de difícil tratamento.

Em alguns casos, as distorções de autoimagem podem até trazer benefícios em curto prazo, mas comumente são danosas aos indivíduos e causam problemas de relacionamento e angústia extrema ao longo do tempo.

As ilusões positivas estão fortemente presentes em pessoas cuja percepção é supervalorizada em relação às suas habilidades e capacidades. Sua principal característica é a necessidade de admiração e de aprovação constante pelos que o cercam.

 

O primeiro componente perceptivo está ligado à percepção da nossa própria aparência física; o segundo está ligado ao subjetivo que envolve aspectos como satisfação com a aparência, o nível de preocupação e ansiedade a ela associada; e o terceiro componente é o comportamental, que destaca as situações que as pessoas evitam por sentirem-se desfavoráveis devido à sua aparência corporal.

Quando falamos de corpo, consumimos não só alimentos, mas padrões, comportamentos, roupas e atitudes sempre buscando a autoimagem dita ideal.

Nessa busca, obesos sofrem por serem considerados “fora do padrão”; jovens insatisfeitas com sua aparência e peso recorrem a dietas inadequadas e acabam desenvolvendo transtornos alimentares em busca de uma magreza exagerada.

 

Dentro da lógica de obsessão por corpos magros ou musculosos, nosso corpo parece se aproximar cada vez menos de um corpo humano, para se tornar cada vez mais um objeto de design.

A autoimagem de uma pessoa que está acima do peso é normalmente mais gorda mesmo quando exibindo uma silhueta mais magra.

Com esse conflito, o cérebro faz de tudo para ficar com o corpo de acordo com a imagem mental criada, favorecendo a recuperação de todo o peso perdido.

Reeducação alimentar é importante para atingir o corpo desejado, mas o trabalho com a mente e a percepção de sua imagem é fundamental para o processo.

 

Alcimara Macieira

Nutricionista - Clinlife

CRN9- 4284

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